http://www.makepovertyhistory.org
Friday, November 20, 2009

Voltei!
Mais vascaína do que nunca!!

Hahahahaha.
Batido por Lu às 9:46 AM


Monday, November 02, 2009

Sexta-feira eu fiquei de férias. Amanhã eu pego o avião. E pela primeira vez em muitos meses eu realmente tenho a sensação de que estou indo. Me movimentando. Para algum lugar. Porque eu estava parada. Como um poste. Praticamente uma coluna do templo. E eu preciso de movimento. De leveza. De fazer a coisa certa. Mas não sem antes, claro, fazer a coisa errada. Nem que seja pela última vez. Nem que seja para nunca mais. Tudo que é definitivo me assusta, mas dessa vez eu vou encarar o medo. Nunca mais. Depois de amanhã é nunca mais. Eu espero.

As conversas são muitas e as novidades poucas. Eu disse que você está se virando bem sem mim (vide: o sultão) e você disse que não. Que não está e que disfarça bem. Faz exatamente meia hora que você me disse que usa uma máscara. Para as pessoas não saberem o que você pensa. Eu já sabia. Mas depois que ouvi da sua boca só consegui lamentar. Porque eu não sei se eu me apaixonei pela máscara ou por você.

Você diz que é apaixonado por mim e que sabe que eu vou voltar. Eu só não sei se você estava falando que eu voltaria para a cidade ou para você. Também não perguntei. Porque deu medo da resposta. Dessa vez é nunca mais mesmo. Para sempre. "Um último McDonalds?" Último. Embora você não acredite em mim. Chega de montaha russa, né? Montanhas russas são boas só nos parques de diversão e para a minha vida eu quero linearidade. Pelo menos por agora.

A minha cidade continua um ovo e sábado nós estávamos na mesma festa. Mais uma vez. E você com outra garota. Mais uma vez. Eu tomei um belo porre e às 6h da manhã o meu telefone tocou. Você chamando. Queria saber se eu já estava em casa. E pediu para eu ligar quando chegasse. O mundo todo rodava e eu achei lindo você preocupado comigo. Mesmo estando com outra. Mais uma vez. Só não sei se era você ou a sua máscara.

Você diz que gosta de mim, mas ninguém acredita. Você faz e acontece e as pessoas não entendem como eu ainda falo com você. Mas eu consigo ver além do que você tenta esconder para os outros. Ninguém te entende. Só eu. Por isso que mesmo que eu vá para o Rio, para a França, para a China... Você não me deixa partir.
Batido por Lu às 10:53 AM


Saturday, October 31, 2009

Da série, MINHA CIDADE É UM OVO.


22h.

- Lu, já viu FULANO ali?
- Já.
- Está com uma menina...
- É... Cada fim de semana está com uma.
- ...
- Ou melhor... Cada dia do fim de semana está com uma diferente.
- Mas amiga... Pior será quando ele ficar com a mesma todos os fins de semana.

Ela tem razão.



*



23h.

- Já viu FULANO ali?
- Já.
- Ele está com uma menina horrorooooosa!!!
- É... A vida. Já tô acostumada.


4h.

Meu telefone toca.
FULANO chamando.

- Queria só ouvir sua voz.
- ...



E a saga do sultão continua.
Mas a verdade é que ele pode ficar com mil garotas, mas quando chega em casa e deita a cabeça no travesseiro é em mim que ele pensa.
E sempre me liga.
Batido por Lu às 12:59 PM


Sunday, October 25, 2009

Não sei se eu já falei aqui, mas eu tenho um outro blog.
Eu sou jornalista, trabalho num jornal impresso aqui da minha cidade e, além de outras atribuições, também escrevo sobre moda, beleza e comportamento. É uma coluna para o público feminino. E semana passada eu falei sobre ter ou não ter bom gosto.
E tive vontade de colocar o texto aqui também. A quantidade de leitores desse blog é infinitamente menor que a do blog profissional, mas são poucos e bons. E eu tive vontade de compartilhar com vocês.

Corram aqui para ver!!
Batido por Lu às 1:17 PM


Tuesday, October 06, 2009

Eu adoro o cheiro da minha cama. O lençol recém-lavado, engomadinho, cheirosíssimo com o sabão em pó certo. E ontem, depois de um fim de semana agitado, eu me deitei e senti aquele perfume agradável. Mas foi a última coisa que eu pensei. Porque eu deitei e olhei para a parede branca lembrando de um único assunto. No repeat.

Sábado foi dia de Trivela. Trivela, Asa de Águia, muito axé e gente bonita. Milhares de pessoas em um lugar e eu cruzo justo com quem? Com você. Você e uma garota. Depois você e outra garota. E outra e outra e outra. Você e mil garotas, em uma mesma festa, em uma mesma noite. Você é praticamente um sultão. E eu assisto a tudo com um copão enorme de vodka com Guaraná, porque não tinha Sprite. É para não descer do salto, né? E eu não desço. Tô lá de pé. Eu brinco, eu rio, eu danço. De pé. Você lá beijando outras, muitas, e eu de pé. Nem é mais novidade mesmo, né?

E eu, que nesse momento poderia não resistir às investidas dos bonitos que sempre circulam meninas solteiras, eu optei por passar a noite dançando com o meu copo e a minha amiga do lado. Porque eu sabia que quando eu voltasse para casa e encontrasse o meu lençol cheiroso eu dormiria o sono dos justos. E não ia acordar com ressaca de coisas erradas e vazias. Nem com medo de ter pego mononucleose.

Quem tem muitos não tem nenhum. Eu também não tenho nenhum, mas não fico dando uma de esperta e beijando mil garotos para dizer que não me importo com você. Eu não! Eu tenho um coração que me engole, mas eu me banco assim mesmo, com ele, e não me sinto fraca, boba ou perdendo meu tempo por causa disso.

Porque você beija mil meninas por noite, mas quando chega em casa e deita a cabeça no seu travesseiro eu sei que é em mim que você pensa. Porque pode até ter uma com a coxa mais dura, pode até ter uma com a conta bancária mais recheada, pode até ter alguma com uma bunda enorme que queira dar para você. Mas não tem nenhuma melhor do que eu. Não tem.

Porque quando você bebe e decide falar verdades é para mim que você liga. E quando você soube que o seu melhor amigo vai ser papai foi para mim que você correu para contar. Eu compro roupa da moda e vou para as mesmas baladas que essas mil garotas que você beijou, mas eu tenho algo que elas certamente não têm: assunto. Muito assunto. E é por isso que você me procura sempre que se sente sozinho e quer conversar com alguém com cérebro.

E do mesmo jeito que a recíproca é verdadeira, todos os dias às 14h15 eu apareço para te lembrar o quanto você foi burro, o quanto você teve medo da vida e me perdeu. Todas as tardes eu estou aqui para provar – e te lembrar – o quando você é tão e tão somente um cara burro. É isso mesmo. Eu fui dormir pensando e acordei com a certeza. O quão idiota você é. Abri os olhos, senti o cheiro bom do meu lençol e sorri. Porque é um cheiro de quem dorme sem medo, sem culpa. Um cheiro de quem tem a vida inteira para viver e ser feliz.

O seu lençol pode até ter o cheiro do melhor sabão em pó. Mas certamente quando você deitar nele, só vai conseguir sentir o cheiro da solidão. Por não ter se deixado viver tudo que era para ser vivido, mas que acabou interrompido. Bruscamente. Por medo.
Batido por Lu às 4:22 PM


Monday, September 28, 2009

Uma vez eu li em algum lugar que o tempo não cura nada. Ele só tira o incurável do centro das atenções. E ainda há pouco eu lembrei disso. Porque quando a gente olha para o incurável todos os dias, fica difícil o tempo fazer a sua parte.
Batido por Lu às 2:55 PM


Saturday, September 26, 2009

Entrei na loja para comprar uma peça e levei seis. Ficar bonita sempre ajuda, mesmo que por dentro os dias sigam sem grandes alegrias. Mesmo que por dentro um edifício tenha desabado e você ainda esteja em meio aos destroços, contabilizando os prejuízos.

A saudade dói, mas o salto é alto e eu não desequilibro nunca. Muita maquiagem, cabelo arrumado, sobrancelha feita. E grandes óculos escuros. Para esconder esse meu lado romântico que tanto insiste em aparecer – tão a contragosto.

Muita roupa da moda para esquecer que você está ali do lado mas brincamos de um jogo besta de faz-de-conta. Faz-de-conta que eu não me importo, faz de conta que você não está ali, faz-de-conta que eu não estou prestando atenção a todos os seus movimentos. E você entra no mesmo faz-de-conta que só nos afasta. É melhor assim.

Mas eu sei o quanto é cansativo continuar nesse jogo e fugir da dor. O quanto é falso mentir que ela não está aqui no meu peito e grita todas as vezes que você dá aquela risada alta. Não é fácil ignorá-la da hora que eu acordo ao último momento antes de pegar no sono. Mas é o que eu tenho a fazer. E vou fugir. Vou correr como um Usaim Bolt, como um relâmpago, como o The Flash. E vou burlar cada desesperada súplica do meu coração para que eu pare e sofra um pouquinho – um pouquinho que seja, para passar.

E não vai passar, eu sei. Porque todos os dias, às 14h15, você vai aparecer para me lembrar que eu não sou mais nada daquilo que, um dia, você me fez crer que eu era. E eu vou continuar fugindo. Muitos passeios no shopping. Muito salão de beleza. Manicure toda semana. Duas horas na academia. É o que me resta.

(...)

Mas depois de tanta roupa bonita, de tanta maquiagem cara, óculos escuros, salão de beleza e festas da moda eu continuo sem saber se dá para fugir da dor. Porque a sensação é de que eu corro, corro, corro e continuo no mesmo lugar.
Batido por Lu às 11:12 AM


Wednesday, September 16, 2009

Da série, As Pessoas São Loucas


Redação de jornal.
Uma tarde quente de uma terça-feira sem graça.
A vida segue e o silêncio impera. Há dias.

Até que ele é quebrado.
Pelo comunicador.


- Sabe o que eu tô pensando...?
- Não. O que?
- Tava imaginando você com um barrigão, andando aqui pela redação...
- kkkkkkkkkkkkkk. Subindo essas escadas todas...?
- Subir vc não ia... Eu garanto!
- É... Realmente... Eu ia rolar! Eu e meus 80 kg!!
- Eu ia te carregar no braço... Mesmo que tivesse um infarto depois...
- ??????
- Já imaginou... Nosso filho já ia nascer órfão de pai!
- ...


Perdi algum capítulo.
Só pode.
Batido por Lu às 5:51 AM


Saturday, September 12, 2009

Meu primeiro dia sem você.

No meu primeiro dia sem você eu não quis dormir até mais tarde. Eu acordei cedo e saí de casa. Para trabalhar sim, mas muito mais para me distrair. E trabalho sempre distrai.
Meu primeiro dia sem você não foi um dia feliz, não foi um dia alegre nem proveitoso. E a cada vez que o meu telefone dava sinal de que havia chegado uma mensagem sua, minha mão suava e o coração disparava. Eu lia, apagava e voltava para o meu primeiro dia sem você. Porque quando eu tomo uma decisão desse tipo, não há volta.
Na minha primeira tarde sem você, eu cruzei contigo no corredor do trabalho. E fiz de conta que não vi. Fiz de conta que você não estava ali. E que eu não quis morrer. Depois eu corri para o banheiro. Mas dessa vez a vontade não era só de chorar. Era de vomitar. E expulsar de dentro de mil todo o fel que você me dez engolir naquele sábado para ser esquecido.
Mas no meu primeiro dia sem você eu também pude me lembrar o quão feliz era o meu mundo antes de você aparecer. O quão bom é poder dirigir o meu carro sem ter alguém me mandando sair da direção a todo tempo e dizendo que eu sempre freio depois do que deveria. Bom não ter que ouvir alguém dizendo que eu tenho que arrumar o botão de baixar o vidro que ainda está quebrado. É maravilhoso poder ouvir as minhas músicas e não ter mais que carregar um cara que bebe e fica pedindo a toda hora para colocar o CD de Grafith – e quando ninguém coloca, ele mesmo canta. "O Brasil canta ê ô!" Ai que felicidade meu primeiro dia sem isso tudo. Porque todos esses dias que eu estava com você, eu já havia me esquecido como é bom sair com as amigas sem ter que dizer para onde, com quem e a que horas volto. Eu já tinha esquecido como era legal ter um domingo todo de paz com a minha família sem esperar o telefone tocar a qualquer momento com alguém me intimando a sair de casa. Eu tinha esquecido como é decidir o que fazer sem me preocupar se o outro vai gostar, querer, aceitar. Eu já tinha esquecido como era bom ser eu, de novo, inteira, plena, feliz.
Ai que alegria meu primeiro dia sem você!
Ai que tristeza o meu primeiro dia sem você!
Que tristeza não ter mais você para me abraçar na fila do cinema, para dirigir quando eu estou cansada, para me fazer companhia nas tardes de domingo e falar sobre todos os meandros do jornalismo potiguar. Que tristeza saber que você não vai mais estar lá para me proteger, seja lá do que for. Tristeza não ter mais a sua mão para segurar a minha, nem te ligar todas as noites para dizer boa noite – mesmo tendo passado a tarde do seu lado. E pela manhã ouvir o meu celular tocando aquela musquinha e do outro lado você falando que achou o apartamento. Eu ainda não ergui a cabeça para olhar o sol porque eu sei que a sua sombra e seu ombro não estarão mais ali do lado para quando eu me cansar e quiser encostar a cabeça. No meu primeiro dia sem você eu já sinto falta do seu ombro macio, de você cantando Nando Reis para mim, do seu ciúme e de todas as vezes que disse que eu era fresca mas que adorava todas as minhas frescuras. Sinto falta de você e de todas as suas incoerências.
E no meu primeiro dia sem você, eu vivo essa ambiguidade angustiante. Eu não sei se eu me sinto imensamente triste por ter te perdido ou surpreendentemente feliz por ter me encontrado.
Batido por Lu às 9:41 AM


Monday, September 07, 2009

Hoje é feriado e está fazendo um solzão. Eu moro numa cidade litorânea linda e cheia de praias legais. Mas quem me conhece sabe que eu não vou nunca. Porque eu não gosto de sol forte na cabeça, areia sujando o pé e água salgada em grande quantidade me sufoca. Nunca vou à praia.
Mas hoje eu quis ir. O povo diz que água salgada tira todas as mazelas da vida, né? E nada melhor que aproveitar o feriado pegando uma prainha com os amigos e deixar o mar levar embora tudo que havia de ruim. Nada de trevas mais. Eu quero LUZ.

Luz, quero luz,
Sei que além das cortinas
São palcos azuis
E infinitas cortinas
Com palcos atrás
Arranca, vida
Estufa, veia
E pulsa, pulsa, pulsa,
Pulsa, pulsa mais

Porque a vida, as experiências e alguma consciência já me fizeram perceber que para tudo na vida há um limite. Senão, vira palhaçada. E há muito, muito tempo eu joguei o nariz vermelho no lixo. As coisas acontecem na hora que a gente menos espera, mas, com toda a certeza, na hora que a gente mais precisa. E nessa hora é preciso recomeçar, reaprender, erguer a cabeça e seguir. É preciso querer sempre mais.

Mais, quero mais
Nem que todos os barcos
Recolham ao cais
Que os faróis da costeira
Me lancem sinais
Arranca, vida
Estufa, vela
Me leva, leva longe
Longe, leva mais

E eu vou.
Bem feliz. Porque, agora, quem está escolhendo SOU EU.
Batido por Lu às 11:10 AM


Sunday, September 06, 2009

Direto do túnel do tempo.



Janeiro de 2005.


Justo quando a lagarta pensou que o mundo tivesse acabado,
ela virou uma borboleta”.
Antoine de Saint-Exupèry


Porque um dia a gente descobre que é forte sim - e muito mais do que se pensava. E o orgulho por ter feito/estar fazendo o melhor por si mesmo é maior que qualquer outra coisa.

Aí você olha para a sua antiga vida de lagarta e pensa: como é bom poder voar, ter asas coloridas, corpo esguio, ser leve. Leveza sim, é fundamental. E então você sente pena das pobres lagartas que não tiveram a mesma sorte. Pena. Daquelas que optaram por não construir seus casulos, por acharem que a vida estava ali, no chão. Continuarão eternas lagartas. Rastejando por entre as folhas secas, em uma vida medíocre e pequena.

Você não. Passou anos e anos tecendo um belo casulo. Seguro, quente, protegido. Casulo que transforma lagartas em borboletas. Construído à base de materiais pouco palpáveis – amor, carinho, compreensão, amizade.

Claro que há momentos na vida das borboletas que (incompreensivelmente) elas sentem saudades da época em que se arrastavam no chão por entre as folhas mortas – afinal, foram tempos e tempos vivendo como uma lagarta. Mas a saudade logo é substituída pela alegria de saber que agora se pode voar. Bater as asas coloridas, passear por entre as flores, encontrar outras borboletas – que também fizeram a opção por construir casulos sólidos -, sentir o perfume das coisas simples. E assim ver o mundo do alto. E perceber que ele, meus caros, vai muito além de um jardim de folhas secas.

...

Pobres lagartas.
Batido por Lu às 8:38 AM



"E do amor gritou-se o escândalo
Do medo criou-se o trágico
No rosto pintou-se o pálido
E não rolou uma lágrima
Nem uma lástima para socorrer
E na gente deu o hábito
De caminhar pelas trevas
De murmurar entre as pregas
De tirar leite das pedras
De ver o tempo correr
(...)"


E Deus continua escrevendo certo por linhas tortas.
Batido por Lu às 8:33 AM


Thursday, September 03, 2009

Ele gosta de mim.
Eu estava dirigindo e quando fiquei sabendo tive vontade de parar o carro e dar pulinhos de felicidade.
Mas eu não parei.
Só sorri.

Um dia de cada vez.
Porque, assim como no início, tem tudo para dar errado.
Mas eu sigo mesmo assim.
Batido por Lu às 4:04 PM


Sunday, August 16, 2009

As coisas são como são.

É, já já faz três semanas e estava mesmo na hora de parar de chorar. Estava na hora de voltar a trabalhar, de comprar roupas novas, sair com as amigas e movimentar essa vida. Porque o mundo não acabou, ainda há muito o que se viver e eu quero uma blusa fluor linda. Minha mão está melhor, desinchou e o roxo no joelho está sumindo - devagarzinho, mas está. Está doendo menos, é fato. E quando eu escuto All Star eu já nem choro mais copiosamente como antes. Um avanço! A vida está, aos poucos, tomando seu rumo e a saudade nem dói mais tanto. Quer dizer... Só as vezes. Ontem eu encontrei uns amigos e depois de muitos abraços eu lembrei que bom mesmo é ser querida - coisa que eu quase esqueci. Agora eu só quero esquecer mesmo das dores e olhar para o céu, que vai estar com o azul que eu gosto (espero!). Não tem sido fácil, mas as coisas são como são. E se foi assim, é porque tinha que ser. Sigamos.
Batido por Lu às 10:57 AM


Monday, August 03, 2009

O dia hoje amanheceu com um sol lindo e eu ainda nem chorei. Quer dizer, só um pouquinho, no carro, enquanto dirigia para ir no médico cuidar da mão. Chorei porque estava tocando Los Hermanos e eu lembrei que na nossa penúltima conversa falamos em ter família grande, quatro, cinco filhos. E eu fiquei triste. Assim como todos os dias eu fico triste e nem há mais novidade nisso. Eu não consigo apagar as dezenas de mensagens suas que estão no meu celular porque sempre que eu começo a relê-las começa a choradeira e uma tristeza infinita, que eu nem sabia que existia, toma conta de mim. E as atitudes simples do dia a dia também me dão uma tristeza profunda. É triste ter que passar por aquela rua e não virar a direita, é triste olhar para o telefone na hora que ele sempre tocava e vê-lo silencioso e imóvel. Assim como são tristes as manhãs que prometem mais um dia sem você, são tristes as noites que cumprem a promessa. E eu vou seguindo a vida, triste e de pé. Infinitamente triste, mas tendo que tocar a vida, porque hoje é segunda-feira. Tendo que dar bom dia para o flanelinha, para o atendente do banco, para a moça da loja. Tendo que ir na padaria, na farmácia, no supermercado, parar no sinal vermelho, dizer o que eu quero para o almoço, olhar o orkut, checar emails. Tudo isso carregando toda a dor no mundo nas costas, mas de pé. Eu fui na missa ontem e o padre me lembrou o quão feliz eu deveria estar porque eu tenho uma casa, uma família, amigos, um trabalho que me arrebata, um monte de roupinhas da moda, saúde, principalmente saúde... E seria um pecado não ser absolutamente feliz, com tanta gente pior por aí, não é mesmo? Seria. E eu sou pecadora.
E aquele outro, o causador de tudo, não para de dizer que me ama e me pedir em casamento. Eu quero mandar matá-lo, mas eu sou cristã e eu rezo para esses pensamentos irem embora porque eu preciso me lembrar sempre que eu não sou uma pessoa má. Eu preciso que as pessoas me digam que eu não sou uma pessoa má. Mesmo querendo muito ser. Mesmo querendo mandar explodir aquele prédio, explodir lembranças, explodir o passado. E eu sinto uma revolta enorme por não poder fazer nada. Eu sinto uma revolta enorme por ter feito tudo certo e não ter adiantado porcaria nenhuma porque você não me ouviu. E desde aquela noite eu não consigo pensar em outra coisa. Há quatro dias eu não penso em outra coisa. Ninguém nunca me ameaçou de morte, mas eu sinto a morte me sufocando todas as vezes que deito a cabeça no travesseiro e o mesmo assunto, a mesma cena, me vêm à mente. Ninguém nunca botou uma arma na minha cabeça, mas eu sinto um cano gelado na minha testa e um gosto de pólvora sempre que passo em frente ao McDonald’s da Prudente. E nunca ninguém me odiou a ponto de me matar, mas eu me sinto morta todas as vezes que me lembro daquelas últimas palavras em frente à sua casa.
Sábado eu saí e foi bom para um monte de coisas, mas não resolveu nada. Eu passei 45 minutos me maquiando. As pessoas disseram que eu estava linda e eu quase acreditei. Eu até sorri, eu até dancei, eu até me diverti... Mas não aguento mais ter que colocar o “até” antes do verbo. O sábado à noite fez a parte dele e estava lá para me mostrar que o mundo é enorme sem você, sem você e suas crises de ciúme, sem você e suas grosserias, seu mau humor, seu estresse. O mundo é um universo de possibilidades sem você. Mas hoje, eu não me importo com o que dizem os outros e eu só queria um mundinho pequeno em que estivéssemos nós dois. Felizes como já fomos um dia. Mas hoje é segunda-feira e uma segunda-feira ainda mais cruel que todas as outras porque é a minha primeira segunda-feira sem você. É a primeira segunda-feira que você não me liga e ontem foi o primeiro domingo que não fomos ao cinema. São 18h19 e eu estou em casa, de pijama, com um braço imobilizado e demorando mil horas para escrever essa droga desse texto. A minha mão dói e eu choro, mas eu não sei se choro por causa da mão ou de você. A amiga me disse que eu não estava triste pelo QUEM, mas pelo COMO. E ela tem razão – mas eu não me importo porque dói do mesmo jeito. Dói dói dói, mas eu tenho que enfrentar essa tristeza. Triste e de pé, né? Porque se me virem na rua, devem pensar... “lá vai uma garota feliz.” Afinal eu não tenho mesmo motivos óbvios para me contorcer de dor por aí. Eu sou só uma garota com a vida boa e, por isso, uma garota que segue a vida em pé. Mesmo carregando toda a dor do mundo nas costas.
Talvez viver seja isso mesmo.
Batido por Lu às 2:17 PM


Saturday, August 01, 2009

Eu olho para o celular e o relógio marca 3h29 da madrugada. Eu tinha esquecido como era rolar na cama sem conseguir pegar no sono. Eu tinha esquecido como era tentar dormir com o travesseiro encharcado. A minha mão ta doendo e eu não tenho vontade de dirigir. Eu não tenho vontade de dirigir porque eu não quero sair de casa. Eu preciso ir no shopping devolver a camisa que eu comprei para ele, mas eu não tenho vontade de me arrumar. Eu olho o guarda-roupa e as maquiagens e tudo me dá preguiça. Meu pai me acordou às 10h pedindo para eu levar minha mãe não-sei-onde. Eu desliguei o telefone porque não to afim de falar com ninguém. Entrei no carro e mainha ficou do meu lado falando mil assuntos que eu nem sei quais eram porque eu simplesmente não ouvi. E quando aquela música do Nando Reis que vc cantou pra mim no show, há duas semanas, tocou, eu não pude mais segurar as lágrimas. E agradeci ter um óculos bem grande para poder esconder da minha mãe aquela tristeza do tamanho do mundo do gigante. O roxo enorme que está no meu joelho me lembra aquele dia e quando eu olho para ele eu só tenho vontade de chorar mais. E eu não aguento mais isso. Porque o estranho foi EU ter me apaixonado por você, mas eu não pude não achar lindo quando você me olhou com aquela cara de vira-lata e disse que estranho era gostar tanto do meu salto alto. A minha mão não melhora e eu não tenho vontade de trabalhar. Eu não tenho vontade de sair de casa, de encontrar os amigos, de sorrir com besteiras. Eu não tenho vontade de nada. A não ser de ir na farmácia e comprar dramin para passar dias e dias e dias dormindo. Talvez quando eu acorde a dor tenha passado. Minha mãe diz que se eu continuar escrevendo a minha mão não vai parar de doer mesmo, mas é bom que ela doa. Porque assim haverá uma desculpa para as tantas lágrimas. Eu não agüento mais isso, mas eu também não sei o que fazer para passar. Porque não era para estar doendo. Não era! Eu disse que não ia doer, né? Eu disse que ia ser melhor assim. E a decisão era para ter sido minha. M-I-N-H-A! (...) Mas não foi. E agora eu carrego toda a dor do mundo nas costas mesmo sabendo que não era para ser assim. Já faz três dias e eu nem lembro mais há quanto tempo eu não chorava por três dias seguidos... Meus amigos não entendem. Ninguém entende. Porque ninguém gosta dele. E todo mundo acha que eu ganhei. Todo mundo acha que ele não me merece. Todo mundo acha que eu deveria estar feliz. Mas eu não estou. Eu deveria estar feliz, né? Mas eu olho para esse monte de palavras escritas e só tenho vontade de chorar porque eu não queria ter que escrevê-las. E eu fico dando voltas sem sair do lugar. Ta bem difícil.
Batido por Lu às 10:34 AM


Thursday, July 30, 2009

Quando a madrugada é mais escura,
é porque está perto de amanhecer


A noite estava movimentada e às 23h30 eu ainda enfrentei um mini-engarrafamento em uma avenida movimentada da cidade. E, parada lá, esperando o sinal abrir, eu tive a certeza que o pior tipo de gente é mesmo aquele que não sabe enfrentar os problemas. Gente covarde, que prefere fugir para não ter que encarar, de frente, as próprias limitações. E me deu uma tristeza profunda por não ter podido ajudar. Me deu uma tristeza profunda por não terem me deixado ajudar. Porque a minha vontade era carregar no colo e mostrar que esse é o caminho do bem, que é assim que as coisas são e que, um dia após o outro, a vida vai nos ensinando a sermos pessoas melhores. Para que pessoas melhores se aproximem da gente também. E para que haja troca, para que haja felicidade. Mas ruim é que não dá para pegar um pendrive e transferir arquivos de uma cabeça para outra. A vida é dura e as pessoas são cruéis.
E hoje, quando acordei, uma das primeiras coisas que eu lembrei foi de uma mensagem de texto que dizia: “Você não pode deixar que o mundo te mude, te tire o encanto do olhar”. Eu não podia, mas eu estava deixando. Mesmo sem querer, mesmo só querendo ajudar, mas eu não estava sendo eu. Eu e essa minha terrível (?) mania de querer que os outros tenham consciência, cérebro e coração, querer que os outros sempre sigam o caminho do bem. Mas há o livre arbítrio – e nem todos querem. E isso é algo que eu, definitivamente, não posso mudar.
Hoje eu não fui trabalhar. Porque eu vou seguir o conselho dela e vou cuidar de mim. Eu sou o que eu tenho de mais importante – e preciso repetir isso todos os dias, todas as horas como um mantra que não dá para ser esquecido. Mas está difícil e não dá para negar. A minha mão dói, mas dói mais ainda o meu coração. E há uma bola de pelos cortantes bem no meio da minha garganta. Agora mesmo eu estou na frente do computador, chorando horrores. Mas amanhã eu sei que vai passar. Não só porque “sempre passa”, mas porque foi melhor assim. E pela segunda vez na vida, eu não sou mesmo a Madre Tereza. Vamos ver se agora eu aprendo, de uma vez por todas, que eu não faço milagres.


Então, é isso.
Strawberry Fields Forever.
Porque eu mereço.
Batido por Lu às 10:40 AM


Monday, July 27, 2009

Parece cocaína, mas...

Às vezes eu sou arrogante. E nego que estou triste. Mesmo estando. Aí eu saio com os amigos e rio bastante. Para espantar a tristeza. Mas no fundo, no fundo, ela permanece ali, imutável. Porque rir não quer dizer que não exista alguma tristeza escondida.
Ser adulta deve ser meio isso, né? Mandar o frentista encher o tanque querendo morrer. Ligar a seta e virar a direita querendo morrer. Escolher a sandália para a festa querendo morrer. Ir para o jornal todos os dias querendo morrer. E não morrer. É sentir a maior dúvida do mundo dentro de si, a maior confusão do mundo dentro de si, a maior preguiça do universo dentro de si, e simplesmente subir as escadas do prédio antigo com o relógio marcando duas da tarde. E à noite, ir comer um McCheddar, combinar o fim de semana, escolher a roupa, alinhar os livros. Querendo morrer com essa tristeza escondida chata pra caramba.
E eu nem choro porque é daquelas tristezas que o choro não resolve muita coisa. E nem resolveria. Na verdade, nada resolve. Triste. Só isso. O mundo não vai acabar, ninguém vai morrer, nem eu. Tudo vai continuar do mesmo jeito. Vou à banca comprar revistas, almoço domingo no shopping, janto com as amigas no meio da semana. Namorado vai bem, papai vai bem, mamãe vai bem. Mas a tal tristeza continua lá. E o pior disso tudo não é que eu não sei o que fazer para acabar com ela. Eu sei. Mas quando falta coragem, falta tudo. E isso sim é verdadeiramente triste.
Batido por Lu às 2:29 PM


Tuesday, July 14, 2009

Eu já estava tão acostumada com a bagunça, com a agitação, que dias de calmaria, as vezes, me dão medo. Por não saber o que vem depois. Por temer que o que vem depois bagunce tudo de novo e eu não saiba mais como agir. Porque dessa vez tem sido diferente de todas as outras. Tudo começou agitado e depois veio a calmaria. E eu não sei se é mesmo assim que tem que ser, mas quando eu olho para traz eu consigo ver que isso tudo tem muito de verdadeiro, de palpável, de real. E é muito, muito bom. Não é mais tipo sonho adolescente onde tudo é cor-de-rosa e, de uma hora para a outra, vai virando cinza. O meu desenho estava preto e branco e a sensação que eu tenho é de que eu estou começando a colori-lo agora. Tem dia que eu pego o lápis amarelo, o laranja, o vermelho. Outros eu uso preto, o cinza, o verde musgo. Aí no dia seguinte eu já pinto o céu com o azul que eu gosto, o vestido da menina com o rosa mais rosa e a deixo com cara de feliz. Porque a vida é assim mesmo. Tem dia bom e tem dia ruim. E eu acho que a gente tem é que ser policromática. Tem que aceitar que tem dia que você vai sorrir e em outros não. Há agitação e há calmaria. Mas tudo de uma forma verdadeira. Porque seja lá o que vier pela frente, sendo de verdade, a gente encara. E sorri destravado.
Batido por Lu às 2:36 PM


Monday, July 13, 2009

Os brutos também amam.


Sábado a noite e nós ficamos em casa vendo filme.
No quarto do lado três sobrinhos dele jogando playstation.
A sogra na sala vendo Roberto Carlos.
Saímos só para ir no McDonald's comprar lanche para as crianças.
Tudo bem família.
Okey.


Parte 1:

Já passava da meia-noite quando um dos meninos gritou...

- Tiooooooooooooooo... Tô com dor na barriga!!
- Já já passa.
(...)

- Tioooooooooooo... Não passou. Tá doendo.
- Vá no banheiro.
(...)

- Tiooooooooooo. Eu não tô aguentando. Tá doendo muito!!!

O tio levantou e foi lá.
Mas não sem antes me dar um recado:

- Olhe... Vá se acostumando, viu. Quando a gente tiver os nossos vai ser assim.


Parte 2:

Quando o tio voltou eu, preocupada, claro, perguntei:

- Quando a gente tiver o nosso e ele ficar doente no meio da noite... Vc vai no hospital comigo, né?
- Não... Eu digo para vc ficar dormindo que eu mesmo vou levá-lo no hospital, minha linda.



Que bónitooooo!!
Batido por Lu às 12:17 PM


Wednesday, July 08, 2009

E é tanta coisa acontecendo que eu não tenho tempo nem de parar para escrever aqui. Teve a fase do CONFUSA, teve a fase do FELIZ e agora está na fase do MEDO – porque é tudo muito VIDA REAL. E ‘vida real’, num golpe só, às vezes assusta. Principalmente quem achava que o mundo era cor-de-rosa. Não é.
Dois meses. As minhas amigas têm certeza que eu vou para o hospício mais próximo – e eu vou mesmo! O meu melhor amigo já me deserdou e eu to achando que nos próximos dias outras pessoas vão me deserdar também. O caminho é perigoso, mas eu não tenho medo da bruxa má. Ou melhor, eu até tenho. Mas eu sigo assim mesmo. Vamos em frente. E em frente, tem um monte de problemas pra gente enfrentar, eu sei. Mas quando a gente faz o que manda o coração, lá na frente, tudo se explica. E essa semana um outro amigo me perguntou por que. Me perguntou se eu sabia o que estava fazendo. Questionou se era ele, o artigo definido. Eu não respondi nada – porque tem hora que é melhor ficar calada mesmo. Ou melhor, tem hora que nem eu sei que respostas dar. Então eu mudei de assunto e sorri destravado, como eu sempre faço quando não tenho mais o que fazer.
Batido por Lu às 12:22 PM



Gosto de gente, de abraço, música e riso solto. Também de silêncio e de sensibilidade. Gosto de prosa, de poesia. De madrugada e de dias ensolarados. Fotografo olhares. E tudo o que vejo guardo em álbuns, reais ou imaginários. Amo profundamente. E sem as amarras da mesquinharia. Como queria Clarice (a Lispector), não sou do tipo que passa "a vida inteira lendo o grosso dicionário a fim de, por acaso, descobrir a palavra salvadora". Quero vinda de surpresa. Porque o que há de mais belo sempre vem urgente. Ou vem manso, não sei. (...) Sou do tipo que também não sabe muita coisa.



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